Sobre o disfarce do vendedor

Hermet se posta atrás da barraca improvisada no cais.
O sol reflete nas escamas prateadas que ainda brilham sobre a madeira molhada.
Sua voz é grave, lenta, e cada palavra parece carregada de duplo sentido.
O rio me traz o que os homens desejam... e também o que eles temem.
Aqui está o carp do Vosk, firme como a palavra de quem nunca falha.
O silverfish, pequeno, mas capaz de alimentar muitos — como segredos murmurados em noites frias.
A enguia do Vosk, que se contorce viva, lembrando que nem sempre o que se segura permanece sob controle.
E, claro... há o atum cosiano, carne vermelha, preço alto... mas nada é tão caro quanto aquilo que não se deve perder.
Pergunte pelo que precisa, e talvez eu tenha mais do que peixe para lhe oferecer..." declara Hermet a um suposto comprador do seus peixes.
Cliente (um mercador desconfiado):
— Hm… peixe é peixe, pescador. Mas suas palavras têm mais espinhos do que escamas. Está me oferecendo comida… ou algo além dela?
Hermet fixa o olhar frio, sem sorrir, limpando a lâmina no pano sujo antes de cortar outro peixe.
Hermet:
> "Depende do que procura… alguns homens compram peixe para matar a fome… outros, para silenciar a voz de quem não deveria falar. O rio entrega tudo, basta saber pedir."
Cliente:
recua meio tenso, pega o peixe mais barato e coloca uma moeda de cobre na mesa.
Cliente:
— Fico apenas com o carp, pescador… não quero mais nada do rio hoje
.
Hermet:
recolhe a moeda sem pressa, olhando-o partir, e murmura consigo mesmo
> "Todos dizem isso… até o dia em que desejam mais."
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