Admissão na Casta Negra
Andreas – Parte 1
O Escolhido🗡
Entrei. A atmosfera estava carregada, sombria. Ele estava lá, imóvel, olhando-me com frieza. Sua voz mudou: "Venha comigo."
Levou-me até uma sala oculta. Lá, ele me disse: "Vejo em você um assassino. Vou colocá-lo à prova. Se sobreviver, estará destinado a esta arte."
Neguei, dizendo que não era um assassino. Ele apenas replicou: "Eu vi o que fez com seu amigo."
— Ele não era meu amigo, respondi.
— Não importa. Cresceram juntos.
Então, contou-me sobre a ruína da Casta Negra, sobre assassinos forçados a viver disfarçados ou como prisioneiros, até mesmo como guerreiros. Por fim, advertiu: "Se falar sobre isso, eu mesmo cuido de você."
Minha jornada começou. Parti com Nortegan — que certamente não era seu verdadeiro nome. Ele via tudo, nada escapava ao seu olhar. A vida nas sombras me aguardava.
Certa vez, dois homens tentaram nos roubar na estrada. Nortegan os abateu com uma rapidez assustadora. Pedi que poupasse o sobrevivente, mas ele apenas disse "não". Ali entendi: na escuridão, não há lugar para compaixão.
No acampamento da Casta Negra, Nortegan foi claro:
Proibido beber.
Voto de celibato.
Proibido possuir escravos.
Minha vida agora pertencia a ele.
— Sempre me chame de Mestre Assassino, ordenou.Nos primeiros dias, amarrava-me a um tronco à noite. Se quisesse comer pela manhã, deveria soltar-me. Quando conseguia, dizia que não estava satisfeito. Ele exigia sempre mais.
O treinamento era duro: adagas, espadas, venenos, disfarces, paciência, crueldade. Um assassino, dizia ele, deveria ser como um Larl solitário — sem vínculos que pudessem comprometer a missão. Sua vida pertencia à Casta. Sua lealdade, indivisível.
Um dia, encostou uma adaga no meu pescoço e disse:
— "Nunca se distraia. Ou não viverá para conhecer os Passos de Sangue."
Expliquei que não entendia.
— "São nove degraus que levam ao título final. Ninguém nasce Casta Negra. É conquistado — com sangue."
Perguntei o que mais poderia haver além disso.
Algum tempo depois, Nortegan anunciou que outros seriam trazidos para treinamento. Selecionados por suas qualidades, poucos sobreviveriam.
O treinamento passou a ser feito em pares. Aos poucos, criei laços com meus companheiros, como se fossem uma nova família. Pela primeira vez aceitei onde estava.
Parte 4 – O Passo de Sangue
— "Hoje você caçará. Mostre que merece estar aqui."
Perguntei quem seria a presa.
— "Seu camarada de treinamento."
O frio me percorreu o corpo. Aquele homem era meu amigo, alguém com quem compartilhei medos e esperanças. Mas aprendi: no passo final, cada um caça o outro. Quando se mata um amigo, entende-se o preto. Quando se mata um amigo, a misericórdia morre junto.
Completei os Nove Passos de Sangue.
A traição de um camarada é o terceiro passo.
Não há honra, apenas aço e ouro.
