Admissão na Casta Negra
 Andreas – Parte 1  


O Escolhido🗡


Desde pequeno, fui ambicioso e cheio de curiosidades. Sonhava em viajar nos grandes navios, alcançar o sul de Schendi e Bazi, e até o oeste de Tyros e Cos. A madeira e a pesca eram o único sustento de meus pais, e logo passei a ajudá-los.


Foi então que meu tio, percebendo outras habilidades em mim, levou-me para trabalhar com ele na ferraria da aldeia. Aos dezessete anos já fazia de tudo ali. Além disso, aprendi as habilidades essenciais de um homem: correr, pular, nadar, caçar, empunhar espada, machado e lança; ler sinais rúnicos; contar, somar, subtrair e pesar; e, acima de tudo, suportar o clima rigoroso do norte.


Na ferraria eu reparava objetos, afiava facas e consertava espadas, machados e lanças. O trabalho era duro, mas eu gostava. Sabia que aquela vida miserável me ensinava algo. Meus pais, muito devotos, buscavam auxílio dos Reis Sacerdotes, viajando até o extremo das florestas do norte, na sede do Alto Iniciado que reivindicava soberania espiritual sobre todo o norte, incluindo Torvaldsland.


Em Torvaldsland respeitam os Reis Sacerdotes, mas não os adoram como deuses. Seus cultos são dedicados a Odin, Thor e outros deuses nórdicos, considerados heresia pelos iniciados do sul. Essas memórias, com o tempo, se tornariam vagas…


Também pescávamos o Parsit, prateado com listras marrons, e o Grunhido de Barriga Branca, um grande predador que se alimenta de Parsits. Meu tio, em certo dia, me presenteou com uma adaga de fio reto. Tornei-a minha favorita — usava-a para limpar peixes, até que, um dia, ela foi usada para algo mais sombrio.


Durante uma discussão acalorada, um camarada roubou meu cesto de peixes. O confrontei, ele me desafiou em um instante, golpeei sua jugular com minha adaga. Não houve testemunhas. Para mim, foi apenas um ato instintivo — sem remorso. O problema é que ele era filho de um homem importante na aldeia. Não me importei. Talvez eu fosse egoísta, talvez cego às consequências.


A única coisa que trazia paz à minha mente era uma história contada por meu tio: A Lenda do Guerreiro dos Mil Anos — que dizia que, a cada milênio, os Reis Sacerdotes desciam das Montanhas Sardar para trazer a Gor um guerreiro que mudaria o mundo


Enquanto a aldeia buscava o responsável pela morte do rapaz, continuei minha vida como se nada tivesse acontecido. Até que um dia, um homem gentil chamado Nortegan pediu que eu afiasse duas adagas. Ao levá-las à sua casa, encontrei a porta entreaberta.

Entrei. A atmosfera estava carregada, sombria. Ele estava lá, imóvel, olhando-me com frieza. Sua voz mudou: "Venha comigo."
Levou-me até uma sala oculta. Lá, ele me disse: "Vejo em você um assassino. Vou colocá-lo à prova. Se sobreviver, estará destinado a esta arte."

Neguei, dizendo que não era um assassino. Ele apenas replicou: "Eu vi o que fez com seu amigo."
— Ele não era meu amigo, respondi.
— Não importa. Cresceram juntos.
Então, contou-me sobre a ruína da Casta Negra, sobre assassinos forçados a viver disfarçados ou como prisioneiros, até mesmo como guerreiros. Por fim, advertiu: "Se falar sobre isso, eu mesmo cuido de você."

Parte 2 – O Caminho Negro
 
Minha jornada começou. Parti com Nortegan — que certamente não era seu verdadeiro nome. Ele via tudo, nada escapava ao seu olhar. A vida nas sombras me aguardava.
Certa vez, dois homens tentaram nos roubar na estrada. Nortegan os abateu com uma rapidez assustadora. Pedi que poupasse o sobrevivente, mas ele apenas disse "não". Ali entendi: na escuridão, não há lugar para compaixão.

No acampamento da Casta Negra, Nortegan foi claro:
Proibido beber.
Voto de celibato.
Proibido possuir escravos.
Minha vida agora pertencia a ele.
 
— Sempre me chame de Mestre Assassino, ordenou.Nos primeiros dias, amarrava-me a um tronco à noite. Se quisesse comer pela manhã, deveria soltar-me. Quando conseguia, dizia que não estava satisfeito. Ele exigia sempre mais.

O treinamento era duro: adagas, espadas, venenos, disfarces, paciência, crueldade. Um assassino, dizia ele, deveria ser como um Larl solitário — sem vínculos que pudessem comprometer a missão. Sua vida pertencia à Casta. Sua lealdade, indivisível.
Um dia, encostou uma adaga no meu pescoço e disse:
— "Nunca se distraia. Ou não viverá para conhecer os Passos de Sangue."
Expliquei que não entendia.
— "São nove degraus que levam ao título final. Ninguém nasce Casta Negra. É conquistado — com sangue."
Perguntei o que mais poderia haver além disso.

— "Um artefato social pitoresco. Chamam de honra."

Parte 3 - Novos Rapazes

Algum tempo depois, Nortegan anunciou que outros seriam trazidos para treinamento. Selecionados por suas qualidades, poucos sobreviveriam.

O treinamento passou a ser feito em pares. Aos poucos, criei laços com meus companheiros, como se fossem uma nova família. Pela primeira vez aceitei onde estava.


Parte 4 – O Passo de Sangue

Recebi a ordem de comparecer ao Mestre Assassino.
— "Hoje você caçará. Mostre que merece estar aqui."
Perguntei quem seria a presa.

— "Seu camarada de treinamento."
O frio me percorreu o corpo. Aquele homem era meu amigo, alguém com quem compartilhei medos e esperanças. Mas aprendi: no passo final, cada um caça o outro. Quando se mata um amigo, entende-se o preto. Quando se mata um amigo, a misericórdia morre junto.
Completei os Nove Passos de Sangue.
A traição de um camarada é o terceiro passo.
Não há honra, apenas aço e ouro.

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